quarta-feira, 31 de março de 2010

Escolhendo sua câmera fotográfica - Parte I

Apesar de já existir muito material espalhado pela internet, esse assunto é bastante extenso e interessante.
Vou dividi-lo em três partes para que a leitura não se torne cansativa e assim possamos trocar até mesmo algumas ideias a respeito no blog.

Nesta primeira parte falaremos de alguns aspectos gerais da fotografia e a escolha de sua câmera, em seguida sobre os tipos de câmeras existentes atualmente no mercado e finalmente sobre quais os aspectos técnicos você deve observar ao escolher um modelo.
Espero que desfrutem da leitura.

“Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”.
Henri Cartier-Bresson

As palavras do mestre Bresson nos ensinam que os sentidos são mais importantes para a fotografia do que a câmera em si. E isso é a mais completa verdade, pois é possível criar imagens lindíssimas, independente do equipamento em questão. Isso porque fotografia é percepção, senso de geometria, interpretação da luz e, principalmente, sentimento.
Ela precisa nos despertar algum sentimento para que se torne interessante. Se você olha para uma imagem e não se sensibiliza com ela, fatalmente esta lhe passou despercebida.
É uma imagem que momentos depois você nem lembrará que a visualizou (excetuando-se aqueles que possuem boa memória). E isso é bem verdade...

Mas sem a “ferramenta fotográfica” não conseguiremos chegar ao resultado final. Devemos levar em consideração que as câmeras naquela época seguiam um padrão de qualidade bastante robusto. Além de quê, o grande aliado delas eram os filmes, bem como o seu processo de revelação.

Não é a toa que o grande fotógrafo Ansel Adams criou a célebre série literária: a Câmera, o Negativo e a Cópia (Editora Senac). Esses livros abrangem todo o processo de criação de imagens antes do advento digital. O quanto mais essas etapas fossem bem feitas, melhor poderia ser o resultado final (esse "poderia" quer dizer que mesmo usando o melhor equipamento e/ou processos posteriores, de nada valerá se não houver sensibilidade na captação da imagem).

Atualmente as películas (ou filmes se assim preferirem) ficaram relegadas apenas aos saudosistas ou a aqueles que ainda possuem alguma resistência ao sistema digital. Aqueles que se arrepiam só de pensar que seus negativos não são mais algo físico, ao alcance de suas mãos (aqui é para eu receber algumas pedradas mesmo... ehehehe). E olha que me enquadro bem nesta categoria, pois até os dias de hoje gosto demais de fotografar em filme. Sobretudo em preto e branco.
Infelizmente hoje não dá mais para falar em fotografia pensando em processos passados. A coisa já é DIGITAL!!!

Hoje as câmeras são muito mais evoluídas tecnologicamente. Elas são o início, o meio e praticamente o fim da fotografia (sem contar é claro a parte de edição – o famoso “pós máquina”).
Praticamente não existe mais escolha de filmes, revelações e ampliações. Nossas imagens são simplesmente bits e bytes espalhados em linguetas denominadas “memórias”... O armazenamento desta década.

Se por um lado as coisas foram “simplificadas”, por outro ficaram bem mais complicadas, pois quando relegamos a responsabilidade da fotografia a apenas um equipamento, ficamos muito mais a mercê dele.
O que antes deveria ser preocupação destinada a pelo menos quatro elementos (câmera, filme, revelação e ampliação), fica hoje a cargo de um único objeto: a sua câmera fotográfica digital. Ela será exclusivamente o seu grande instrumento de captura de imagens e saber escolher aquela que se adéqua as suas necessidades é uma tarefa importantíssima, pois dependendo do que você esperar das suas fotos será necessário escolher a ferramenta correta que viabilizará isso.

Em princípio, praticamente todas as câmeras são boas e a forma como você irá empregá-las é que dirá se estão dentro do seu objetivo ou se você já estará apto a subir de patamar.

Fazer uma escolha consciente das suas necessidades é muitíssimo mais importante do que sair “gastando” a esmo. Além de ser uma forma de preservar o investimento que você estará fazendo. Afinal de contas seria sem razão comprar uma Ferrari para andar em vias esburacadas. Fatalmente seu carro acabaria avariado ou atolado em algum desses buracos. Continuando este raciocínio, se você pretende ser um piloto automobilístico, não irá começar a carreira andando em uma carroça, não é mesmo?

Pois bem... Se você deseja fotografar sem qualquer expectativa de conhecimento e aprofundamento fotográfico, não há motivos para investir em uma câmera profissional com os mais avançados recursos e que depende de uma variedade de “tralhas” para torná-la ainda melhor.
Vou procurar deixar essa ideia bem clara, porque é muito comum vermos por ai pessoas indicando câmeras caríssimas e avançadas a quem não acabará usando os recursos que ela incorpora (justamente o que define seu preço). Compras como essa é definitivamente jogar dinheiro fora.

Se você toma um litro de chope, desnecessário comprar um barril, logo a meu ver, para quem está começando, o caminho a ser percorrido é uma diagonal, com você posicionado na ponta mais baixa... É como se você estivesse subindo uma escada. Degrau por degrau. À medida que vai conhecendo o seu equipamento, aliado às fotografias que pretende fazer, começa-se a pensar no próximo investimento. Mas isso quando a sua câmera atual não consegue mais dar conta daquilo que você quer fazer.

De qualquer forma isso não o isenta de escolher um bom equipamento.
Mesmo para fotografias ocasionais e despretensiosas, é necessário fazer uma boa pesquisa sobre qual câmera comprar. Existem muitas “tranqueiras” sendo vendidas como “a maravilha do século XXI” e se você não souber identificá-las, acabará amargando prejuízo que somente no futuro irá perceber (e lamentar).

É nesse momento que não podemos deixar de falar nas câmeras amadoras de baixíssima qualidade (muitas vezes denominadas “descartáveis”).
Você deve conhecer bem, sobretudo em comerciais de TV, aquelas maravilhosas câmeras “tudo em 1”. Que fotografam, fazem vídeo, são webcam, gravadores de áudio, memory card, e se bobear “fazem até pipoca” (rsrs). Eles ainda anunciam que vem com um cartão de 1Gb e nele você consegue armazenar 15 mil fotografias e nem mesmo precisa de computador para guardá-las. Realmente... No final você compra outro cartão ou formata aquele usado para poder fazer essa incrível marca de 15 mil fotografias mais uma vez (sic!!!)
Não vou nem citar marcas, pois acho que a maioria de vocês já conhece esses produtos. Ainda mais depois de tantas unidades vendidas e pessoas que se viram enganadas em seu investimento, diante de um produto tão fraco e inferior.
Infelizmente praticamente tudo nessas câmeras é de baixa qualidade... As lentes são de pobre qualidade ótica, com foco ruim e baixíssimos contrastes. O sensor é pequeno demais e aliado as péssimas lentes não conseguem garantir uma boa faixa tonal, com cores péssimas e desbotadas. Sem falar no ruído exagerado quando usadas em uma sensibilidade um pouco mais elevada (se ela permitir ajustes de ISO). Outra lástima nessas câmeras é o fato de não possuírem zoom. E quando possui, este é feito apenas de forma digital.
Essas câmeras costumam ser de marcas duvidosas e pouco conhecidas dentro da fotografia.

Sobre marcas vale ressaltar que as melhores escolhas são aquelas conhecidas neste universo. Melhor ainda se forem provenientes desde a época dos filmes, pois já possuem um ótimo know how, conquistado em anos de evolução destes equipamentos. Marcas como Nikon, Canon, Pentax, Olympus, Fujifilm, Kodak, Leica (com sua parte ótica em consonância com a Panasonic), Minolta (perpetuada agora sob a batuta da Sony) entre outras, figuram entre as melhores, com modelos que atendem a todos os tipos de fotógrafos; dos mais básicos aos mais avançados profissionais.

O negócio é estar atento... Antes de comprar, pesquise, pesquise mais uma vez e pesquise de novo. Pense nesse momento como um investimento para a sua vida. Pois a fotografia é isso. Ela eternizará momentos fantásticos que você vivenciou e, para isso, escolher uma ferramenta que garanta melhores recursos, irá gerar um grande salto de qualidade nestas imagens.
Volto a frisar... Não estou falando que você deve comprar câmeras caríssimas. O que precisa é analisar modelos que se enquadrem no quanto você pode gastar e quer se dedicar na fotografia. Dentro desta faixa, escolher uma que faça o serviço bem feito.

Recomendo pesquisas pela própria internet.
Existe muito material espalhado por aí, como em fóruns, sites de cotação de preços e até mesmo comunidades em sites de relacionamento (orkut, facebook, entre outros). Mas na minha opinião, o melhor mesmo são os sites de reviews.

Esses sites costumam trazer comparativos de imagens com as mais diversas câmeras que vão sendo lançadas. Possuem bastante informação técnica e mesmo sendo em idiomas estrangeiros, os números são fáceis de serem visualizados e comparados. Na terceira parte deste artigo, quantificarei os recursos que devem ser analisados na hora de escolher uma câmera digital.
Para adiantar, vou passar os meus sites de reviews preferidos:
Mas não pare por ai...
Vá a lojas... Indague vendedores. Pegue a câmera pretendida nas mãos e tire suas próprias conclusões (sobretudo se for modelos profissionais, onde a pegada e acesso aos recursos são primordiais quando em operação).

Converse com amigos, colegas e familiares... Criar uma base sólida e bem definida de possíveis compras é muito mais importante do que deixar se levar por propagandas ou apenas umas poucas opiniões. Sobretudo quando esse investimento é alto. Quanto mais alto, demanda mais pesquisa, pois o seu dinheiro é caro e suado para ser conquistado e você deve tentar ao máximo “esticá-lo” para não se arrepender depois.

Até a próxima parte.

Gostou? Não gostou? Deixe um comentário.

3 Comentários:

luana disse...

Ola Rodrigo, gostaria de um conselho, ainda nao sei muito sobre cameras e fotografia mas pretendo aprender, tenho a oportunidade de comprar uma camera por um bom preço pois um primo esta voltando do exterior e ira traze-la, porem estou na duvida primeiramente tinha optado por um modelo de compacta superzoom a pentax x90, depois me disseram q logo eu iria querer uma mais profissional e seria melhor ja compra-la e me indicaram a sony a200k pelo bom preço ou a a230l, o que voce acha ?
Desde ja agradeço a atenção.

Rostev disse...

Olá Luana.
Se você está começando agora, acho natural começar por uma câmera mais básica.
Não conheço a fundo a Pentax X90, mas olhando rapidamente parece uma câmera interessante (12Mp, zoom de 26X -26-676mm e um belo LCD de 2,7").
Como sempre digo, não adianta sair enfiando as caras em uma DLSR e depois ver que irá depender de vários investimentos para ter uma mobilidade tão boa quanto as avançadas (macro, grande angular, zoom, etc). Volto a frisar que a dedicação e aprofundamento que você irá querer dedicar a sua fotografia é que deve ditar o seu investimento.
Se está preparada para investir na linha reflex, ótimo. Se não acha compensador neste primeiro step, melhor pegar uma avançada, usar bastante e depois ter certeza se vale galgar novos degraus.
Abração e obrigado pela visita.

Thiago Logasa disse...

Olá, eu sou estudante de cinema e estou querendo aquirir uma DSLR para começar a fotografar e produzir alguns vídeos. Estou com uma dúvida sobre qual câmera comprar. Eu preciso de uma câmera não muito cara, na faixa de uns 2.300 reais no máximo, que seria o caso da canon t2i. Eu queria que você me tirasse algumas dúvidas.

1° A t1i filma em full HD mesmo? A T1i realmente só filma e 20 quadro por segundo? E quanto tempo ela filma sem que prejudique o CMOS?

2° A T2i filma full HD em 24 e 30 quadros por segundo?

3° A Nikon D5000 filma apenas em HD ou seja 720p, mas quanto tempo ela filma? É uma câmera realmente boa?

4° Essa minha última pergunta é o seguinte, vamos esqueçer de filmes, falando apenas em termos de fotografia, qual dessas três tem o melhor custo benefício?

Desde já eu lhe agradeço, eu estudo fotografia, mas meu professor é um banana.hehehe
T+ Abrass!!!

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