terça-feira, 1 de junho de 2010

Conhecer: Anand Atelier

Para fechar a Coluna Conhecer nos atelies de cerâmica de Cunha/SP, deixei para mostrar a nossa última passagem por esses lindos lugares: O Anand Atelier, um dos mais requisitados para visitas na cidade, devido a técnica raku, que se constitui em uma rápida queima das peças em fornos de alta temperatura, que acaba por produzir resultados com incríveis desenhos e contornos.

Os ceramistas Zahiro e Gitika, proprietários do Anand Atelier, escolheram viver e trabalhar na serra do Mar, a 16 km de Cunha e 30 km de Parati, ao lado da mata, de onde se avista o “mar de morros” dos altos da Serra do Mar até os contrafortes da Mantiqueira.

Transparência, leveza e simplicidade inspiraram a construção do ateliê, adequado a ver e entender o trabalho e pensamento dos artistas.
O Anand Atelier possui um forno a lenha de alta temperatura e um espaço para queima de raku aberta ao público. O ateliê integra áreas de trabalho e exposição com a paisagem, através de vidros e plantas reunidos com especial carinho.


A origem
O raku tem sua origem no Japão do século 16. O mestre do chá do então imperador Hideyoshi, monge Rykiu, transformou radicalmente o ritual do chá servido no palácio do imperador. As peças sofisticadas e caras foram substituídas por tigelas simples nas formas e na decoração, conforme o zen budismo. O ceramista que confeccionou as peças recebeu o direito de usar o nome Raku e transmitir a técnica a seus descendentes e discípulos, que continuam a produzir para o imperador até hoje. A família Raku trabalha no mesmo ateliê em Kyoto há 450 anos.


A técnica
Raku é uma forma de cozedura e pós cozedura de peças cerâmicas que envolve uma posterior "queima" das peças. Estas saindo do forno incandescentes (cerca de 1200 °C no máximo) são envolvidas em baldes cheios de serradura e automaticamente ardem e queimam. Caso a peça seja previamente vidrada, o resultado normalmente é um brilho muito característico e quase exclusivo do raku. Caso contrário, se a peça não estiver vidrada, depois de sair do serradura pode-se observar que fica completamente negra.
O resultado final de uma peça de Raku tem sempre um lado imprevisível e, por isso, cada peça é única. O acompanhamento direto a todas as etapas encanta os envolvidos.


O raku no Anand Atelier
A queima no raku é rápida – chega a 950º C em cerca de 60 minutos em forno pequeno, a gás. As peças são retiradas do forno incandescentes, colocadas em serragem de madeira alguns minutos e resfriadas com jato de água.
O Anand Atelier cria o raku em três técnicas: com esmaltes craquelados, com cobertura fosca de cobre e sem cobertura, chamado “raku nu”.


Zahiro e Gitika, recebem visitantes em palestra informal, que acontece durante todo o tempo em que as peças são queimadas no forno a gás. Com as mãos literalmente “na massa”, narram o processo passo-a-passo de queima e abertura do forno e mostram as obras incandescentes recebendo esmaltes, texturas e craquelês.
Esse momento é bastante disputado e aguardado pelos visitantes do Anand, pois trata-se de uma introdução ao universo surpreendente do Raku. Surpreendente porque depois da queima, com o jato d’água que recebem, é que iremos descobrir quais as belezas das formas craqueladas que iremos visualizar. Uma peça é sempre diferente da outra e dependendo do resultado conseguido, é que são separadas as peças mais bonitas e diferentes das outras.


Para assistir a palestra, cada visitante paga uma contribuição de R$ 10,00 e acompanha todo o processo de queima das peças. Após o evento, são convidados a participar de uma pequena festiva, com sucos e guloseimas e ainda podem adquirir qualquer uma das peças que viram serem queimadas durante a explanação.
Vamos ao processo...

As peças são inseridas neste forno branco em sua
primeira queima rápida, atingindo cerca de 950º C.

Durante esta queima, os visitantes são convidados a verem
as peças sendo queimadas pela tampa superior do forno

Quando o forno é levantado, as peças estão incandescentes

E são removidas com auxílio de tenazes

Até a base vazia cria um efeito interessante para ser fotografada

As peças vão para estes tambores enterrados no chão (com tijolos em cima).
Eles estão cheios de serragem para uma segunda queima combustiva

Mais serragem é adicionada nestes tambores, que são novamente fechados.
Com a falta de oxigênio, cria-se uma atmosfera redutiva de calor.

Depois de duas queimas as peças começam a ser retiradas para o choque térmico com água

Notem como as cascas vão se soltando da peça
e com isso criando os desenhos e formas na mesma

Essas peças brancas são as sem cobertura, chamadas "raku nu"

Posteriormente são retiradas as peças esmaltadas (coloridas)

Que ali mesmo já passam por lavagem nas mãos dos artistas

E já começam a ser separadas para os visitantes que
já querem comprar essas que viram ser queimadas

Notei um especial cuidado com as peças "raku nu". Nestas fotos,
Zahiro lava separadamente cada uma delas, nos tanques de baixo do atelier


Assista um vídeo que descreve o processo:

Anand Atelier
Rodovia Cunha-Paraty, km 61,5 – Cunha/SP.
Contato: (12) 3111-3099 - contato@anandatelier.com
www.anandatelier.com

Gostou? Não gostou? Deixe um comentário.

1 Comentário:

Estefânia disse...

Ei Você..
Acaba de receber um selo!
mais informações....
http://coisasdasoul.wordpress.com/2010/06/19/selo/

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